Como montar sua árvore genealógica sem pagar nada

A maioria das pessoas que começa a pesquisar sua origem familiar acaba esbarrando em sites que prometem tudo grátis e depois cobram na hora de exportar os dados ou salvar ramos completos. Eu perdi duas semanas com isso há alguns anos quando tava tentando reconstruir a linhagem da minha avó paterna. O site parecia bom, deixava você montar a árvore inteira, mas na hora de salvar ou baixar um relatório em PDF, aparecia uma tela pedindo pagamento. Resolvi migrar tudo manualmente pra uma planilha e depois pra uma ferramenta que realmente deixa exportar sem taxas.

árvore genealógica da família grátis: opções reais que funcionam

O Gramps é o primeiro nome que eu indico. É um software open-source, instalado no seu computador, sem assinatura, sem limite de indivíduos. Você baixa o instalador no site oficial do projeto, instala, e já começa a cadastrar os nomes, datas e fontes. Ele permite gerar relatórios em PDF, HTML e GEDCOM (formato padrão que qualquer outra ferramenta reconhece). A desvantagem é que não é online, então se você quiser acessar de outro computador, precisa fazer backup manual ou sincronizar a pasta de dados por conta própria.

Se você prefere algo na nuvem, o FamHub (famhub.com) oferece um plano gratuito generoso que permite criar árvores completas, adicionar fotos, documentos escaneados e conexões entre famílias. Diferente de muitos concorrentes, ele não bloqueia a exportação GEDCOM no plano gratis. Outra opção é o MyHeritage, que permite criar uma árvore gratuita com até 250 pessoas. Passa disso, o sistema começa a dar limitações. Mas como ferramenta de organização inicial, serve bem. Tenha cuidado com o FamilySearch. É completamente gratuito e é a maior base de dados genealógica do mundo, operada pela Igreja Mór. O problema é que a interface é pesada, lenta e o sistema de cadastro de informações suas pode conflitar com registros já existentes na base deles. Já tive o caso de tentar registrar um bisavô que nasceu em 1892 num município pequeno do interior de Minas Gerais, e o FamilySearch já tinha um registro com o mesmo nome, data e local vinculados a outra família. O sistema não deixa você criar dois registros idênticos. A solução foi abrir uma discussão na seção de "Precisa de Mais Informações" daquele registro duplicado e juntar os dados manualmente.

O que funciona na prática

Comece pelo que você sabe. Seus pais, seus avós, seu nome completo, data de nascimento, local. Não tente pular direto pra bisavós. A maioria dos erros em árvores genealógicas acontece porque as pessoas inventam conexões pra preencher espaços vazios. Eu já vi gente colocar avós inteiros baseados apenas no sobrenome. Isso destrói a credibilidade da árvore inteira.

Documentos são mais importantes que suposições. Certidão de nascimento, certidão de casamento, óbito, título de eleitor antigo, ficha militar. Cada documento que você encontra resolve dois ou três pontos da árvore de uma vez. Uma única certidão de casamento de 1945, por exemplo, geralmente traz os nomes dos pais dos noivos, o que preenchia três gerações num único papel pros meus avós. Use o gedcom como moeda de troca entre plataformas. Se você montar a árvore no Gramps, consegue exportar em GEDCOM 5.5 e importar no MyHeritage ou no FamilySearch. Fazer isso no início evita que você fique preso num único serviço. Já aconteceu de eu importar uma árvore inteira do Gramps pros sites americanos e cruzar automaticamente com milhões de registros digitados por voluntários. Em cerca de 20 minutos de configuração, encontrei registros de três avós que eu não tinha documento nenhum.

Pegadinhas e limites que ninguém conta

Ferramentas gratuitas têm restrições que aparecem só quando você já entrou fundo na pesquisa. O plano grátis do MyHeritage, por exemplo, limita o número de correspondências com DNA matches e não permite acesso às hintings (sugestões automáticas de registros) além de certo ponto. O FamilySearch é mais aberto, mas a qualidade dos dados varia enormemente dependendo da região. Registros de capitais e cidades maiores do Sul e Sudeste do Brasil são bem mais completos do que os de municípios pequenos do Nordeste ou do Centro-Oeste, onde boa parte dos registros paroquiais ainda não foi digitalizada.

Outro ponto: a privacidade de pessoas vivas. Quase todas as plataformas gratuitas não deixam você colocar dados completos de alguém que ainda está vivo. Você consegue listar o nome, mas não data de nascimento exata, documento ou foto. Isso faz sentido, mas atrapalha quando você quer organizar tudo direito antes de compartilhar a árvore com parentes mais velhos que gostariam de ver os detalhes. A melhor estratégia que eu achei foi montar a árvore toda no Gramps, com todas as informações, documentos e fontes, e depois exportar uma versão resumida em GEDCOM pra compartilhar com a família. Assim você não depende de nenhuma plataforma terceira pra manter seus dados. O Gramps roda em Windows, macOS e Linux, e o arquivo de dados é só uma pasta que você pode copiar pra um pen drive ou nuvem pessoal.

Se o seu objetivo é só organizar o que já tem em casa — nomes dos avós, fotos de família, talvez alguns documentos digitalizados — o caminho mais rápido é o Gramps mesmo. Levanta de 40 minutos a 1h30 pra configurar a primeira árvore com 15 a 20 pessoas, dependendo de quantos dados você já tem anotados. A partir daí, cada nova geração que você adiciona leva em média 5 a 10 minutos por pessoa.