Quem escreveu as crônicas de Nárnia
O autor das crônicas de narnia é Clive Staples Lewis, mais conhecido como C.S. Lewis. Nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 29 de novembro de 1898, e morreu em Oxford, Inglaterra, em 22 de novembro de 1963. Estudou na University College e depois lecionou inglês e literatura medieval em Oxford e Cambridge.
autor das cronicas de narnia
As sete crônicas foram publicadas entre 1950 e 1956. O primeiro livro foi "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa". O último, publicado em vida, foi "O Cavaleiro e a Donzela". "As Origens Puritanas de Nárnia", editado postumamente, é uma obra acadêmica separada, não faz parte da série. A ordem cronológica dos eventos dentro de Nárnia difere da ordem de publicação, mas isso é um detalhe secundário que não muda a autoria de forma alguma. O que muita gente não sabe é que Lewis escreveu a história original de Nárnia antes mesmo dos livros publicados. Em 1939, ele começou a escrever uma adaptação da história de Péricles, com elementos fantásticos, para explicar o surgimento de certas crenças populares sobre o cristianismo. A versão final saiu como "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa". A sequência das publicações, do ponto de vista da data original de escrita, não segue a ordem editorial. "O Cavaleiro e a Donzela" foi escrito por volta de 1952, antes de "O Sobrinho do Mágico", mas publicado depois. Isso não influencia a qualidade, mas ajuda a entender a evolução da cosmovisão dele.
Eu li os livros pela primeira vez em 2014, numa livraria usada em Coimbra. Tinham edições portuguesas da Editorial Presença e da Bertrand. Na época, estava a tentar perceber a estrutura teológica subjacente. Há um erro comum de interpretação: muitos leitores tratam as crônicas como pura alegoria, letra por letra. Lewis rejeitou essa leitura abertamente em "Sobre os Três Métodos". Ele preferia o termo "suposição" — ou seja, um cenário hipotético onde uma redenção real poderia ocorrer noutro plano de existência. Isso altera completamente a forma como se lê "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa". Asgard, por exemplo, não é uma referência direta a nenhum símbolo cristão; é uma inspiração mitológica que serve de base, mas não de alegoria fechada. Outro ponto que gera confusão: a data de publicação. Muitas pessoas acham que "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" foi o primeiro livro publicado porque é o mais conhecido. Mas "O Sobrinho do Mágico", escrito depois, é o primeiro cronologicamente no universo de Nárnia. A ordem de leitura recomendada depende do seu objetivo. Se quer seguir a narrativa interna, começa por "O Sobrinho do Mágico". Se quer a experiência original de 1950, começa pelo leão. Ambas as abordagens são válidas.
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A questão das ilustrações também costuma gerar debate. As edições originais britânicas, com ilustrações de Pauline Baynes, são consideradas pela maioria dos fãs como as definitive. As edições brasileiras e portuguesas, nos anos 90 e 2000, tinham ilustrações diferentes — algumas mais fieis ao espírito original, outras menos. Eu encontrei uma edição da Editora Ática dos anos 90 com imagens completamente distantes do estilo original. Não era ruim, só era diferente. A diferença é significativa quando se trata de adaptar para o cinema, como fez a Walden Media. As versões cinematográficas seguiram mais de perto as ilustrações de Baynes do que as edições brasileiras contemporâneas. Há ainda um problema recorrente nas traduções portuguesas: a forma como certos termos são adaptados. "Narnia" em si não tem um equivalente direto em português, então mantém-se o nome. "Faun" vira "fauno", mas a transliteração de nomes próprios às vezes causa estranheza. Eu tive um problema concreto com uma edição da Portucel — ou seja, a editora portuguesa que publicou a série nos anos 80. Alguns nomes de personagens tinham grafias que mudaram nas edições posteriores. Por exemplo, "Aslan" era por vezes grafado "Aslán" com acento, e "Lúcia" por vezes aparecia como "Lucy". Isso não afeta a compreensão, mas gera desconforto em quem lê várias edições.
Para quem quer uma referência confiável, o site oficial da C.S. Lewis Society recomenda as edições da HarperCollins no Reino Unido e da HarperOne nos Estados Unidos. As edições portuguesas mais fiéis são as da Editorial Presença, que mantêm a tradução e o texto original em inglês, com notas de rodapé explicativas. A tradução portuguesa mais recente é da editora Relógio d'Água, com prefácio de João Barrento. Eu comprei essa edição em 2022 e a qualidade do papel e da tipografia é razoavelmente boa. O legado de Lewis vai muito além das crônicas. Ele escreveu "O Problema da Dor", "Mere Christianity", "O Grande Milagre" e "A Abolição do Homem". Se você gosta da abordagem filosófica e teológica que permeia Nárnia, esses livros oferecem contexto direto. "Mere Christianity" é especialmente relevante porque explica a estrutura moral que sustenta todo o universo das crônicas. Sem esse contexto, muitos leitores perdem a dimensão ética que Lewis pretendia transmitir.
Uma observação final: as crônicas de Nárnia são dominadas por temas de sacrifício, redenção e corrupção. Não há uma única linha direta que ligue as histórias ao cristianismo de forma explícita, mas a arquitetura moral é inequívoca. Lewis era um cristão devoto e isso transparece, mesmo quando ele tenta esconder. A Feiticeira Branca representa a tentação secular; Aslan representa a encarnação e o sacrifício redentor; os protagonistas são crianças comuns, o que reforça a ideia de graça imerecida. Se estiver a procurar a biografia completa, a mais aclamada é "C.S. Lewis: A Biography" de Humphrey Carpenter. É longa, mas necessária para entender o homem por trás dos livros. A edição em português, publicada pela Editorial Presença, é fiel ao original em inglês e não corta passagens importantes sobre a amizade de Lewis com Tolkien, que é central para compreender a origem das crônicas.