O filme de animação que quase não existe
O longa-metragem Bela Adormecida da Disney foi lançado em 1959 e é o terceiro da chamada era de ouro do estúdio. A produção sofreu cortes orçamentários severos desde o início. Walt Disney estava mais interessado no parque Disneyland na época, então a equipe recebeu permissão para usar técnicas mais rápidas e baratas de animação. O resultado foi um filme com cerca de 75 minutos de duração, bem mais curto que as produções anteriores como Cinderela ou Branca de Neve. A história segue Aurora, uma princesa amaldiçoada pela fada Málefita. Ela deve furar o dedo num tear antes do sol de seu décimo birthday, mas graças aos presentes das outras três fadas, a maldição foi modificada para um sono eterno apenas. O príncipe Felipe a desperta com o beijo do amor verdadeiro décadas depois.
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Para quem quer assistir ao filme hoje, as opções legais são o Disney+ ou a compra digital nas plataformas como Amazon Prime Video, Apple TV e Google Play. O clássico está disponível em versão restaurada em alta definição. A restauração de 2008 melhorou bastante a qualidade visual original dos anos 50, que agora aparece com cores mais vivas e menos danos de gravação antiga. Eu já fiz testes comparando várias versões ao longo dos anos. A que realmente merece atenção é a edição de 1959 original projetada em cinemas, mas isso só existe quem tem acesso a coleções privadas ou projeções especiais. A versão do Disney+ é sólida para o dia a dia.
O design dos personagens sofreu influência direta do movimento art nouveau. Eyvind Earle, o designer artístico contratado, trouxe traços geométricos e estilizados que deram ao filme uma aparência única dentro do catálogo Disney. Os troncos das árvores parecem colunas, os rostos das fadas têm linhas angulares, e o castelo tem proporções alongadas que não aparecem em nenhum outro clássico da franquia. Muitos fãs criticaram na época por parecer "frio" ou "artístico demais", mas essa escolha visual é justamente o que diferencia o filme dos outros. Um problema prático que muita gente encontra ao baixar ou fazer download de cópias antigas do filme é a sincronia de áudio. Versões piratas vindas de DVDs desatualizados frequentemente têm o som atrasado em relação à imagem. Isso acontece porque as cópias mais antigas foram digitalizadas sem fazer a correção de tempo entre a trilha de áudio e os quadros. A solução mais simples é usar um player que permita ajustar o delay de áudio manualmente, como o VLC Media Player, que tem uma configuração de sincronização de até 5 segundos para frente ou para trás. Basta ir em Tools > Track Synchronization e ajustar o slider até alinhar perfeitamente.
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A trilha sonora de Tchaikovsky foi adaptada por George Bruns. O filme usa trechos da balé "O Quebra-Nozes" como base musical, o que era uma abordagem diferente para um musical Disney da época. Em vez de canções originais escritas especificamente para o longa, a narrativa é impulsionada pela música orquestral existente. Isso funcionou, mas também limitou a presença de números musicais icônicos comparado a outros filmes do estúdio. Ninguém canta fora da caixa nesta produção. As fadas mal cantam nada. A maior parte do tempo é trilha sonora instrumental mesmo. O filme teve um desempenho fraco nas bilheterias quando estreou, arrecadando cerca de 1,2 milhão de dólares contra um orçamento de 4 milhões. A crítica também foi mista. Muitos achavam os personagens frios demais e a história simplista. A Disney chegou a considerar Bela Adormecida como seu fracasso de animação por anos, e o estúdio praticamente parou de fazer longas metragens após este lançamento, focando em documentários e compilações até o lançamento de A Dama e o Vagabundo em 1955, que na verdade foi antes, então a sequência real é que o estúdio entrou em uma fase de baixa produção entre 1959 e 1989 com A Pequena Sereia.
Um detalhe importante sobre a personagem Málefita que poucas pessoas conhecem. A fada má foi inspirada no conto original dos Irmãos Grimm, onde a bruxa é uma velha feia disfarçada. No filme da Disney, ela aparece principalmente como uma mulher elegante e poderosa, com a capacidade de se transformar em um dragão gigante. Essa transformação final é considerada uma das melhores sequências de animação já feitas pelo estúdio, com cerca de três minutos de duração em estilo pintura sobre vidro, uma técnica rara e laboriosa. Se você está procurando material de estudo ou análise mais aprofundada sobre o filme, há documentação disponível na biblioteca do Walt Disney Archives, mas o acesso é restrito a pesquisadores credenciados. Para o público geral, livros como "The Disney Version" de Leonard Maltin e documentários como "The Sweatbox" abordam a produção com detalhes técnicos sobre como cada cena foi construída frame a frame.
Um ponto que vale mencionar sobre legendas e dublagem. A versão brasileira de dublagem foi feita originalmente nos anos 60, e muitos fãs mais velhos consideram aquela versão mais autêntica do que as regriduações modernas. A nova dublagem do Disney+ traz vozes diferentes para personagens como a Aurora e o Felipe, o que gera polêmica entre os que cresceram com a versão antiga. Recomendo assistir nas duas para formar uma opinião própria, já que as escolhas de direção de arte vocal são significativamente distintas entre asépocas. O filme também tem uma curiosidade sobre sua disponibilidade regional. Por muitos anos, Bela Adormecida não foi relançado nos cinemas americanos devido ao seu desempenho inicial ruim, mas foi amplamente distribuído internacionalmente, especialmente na Europa e no Japão, onde ganhou uma base de fãs considerável. Isso influencia bastante como o filme é visto hoje fora dos Estados Unidos, onde ele tem uma reputação mais positiva do que dentro do próprio país de origem.