Como A Ciencia Explica A Formaçao Do Arco Iris - O arco-íris além da beleza: a ciência e a luz por trás do espetáculo no ...
O arco-íris além da beleza: a ciência e a luz por trás do espetáculo no ...

A luz do sol não é branca

A luz solar parece branca porque todos os comprimentos de onda chegam juntos aos nossos olhos ao mesmo tempo. Quando ela entra numa gota de chuva, acontece uma coisa simples: cada cor viaja numa velocidade ligeiramente diferente dentro da água. O vermelho desvia menos, o violeta desvia mais. Isso se chama dispersão e é o que separa as cores dentro da gota. O processo inteiro funciona assim. A luz entra pela frente da gota, refrata, reflete na parede de trás e sai de novo pelo lado de frente. A geometria óptica mostra que a intensidade máxima de luz sai num ângulo de aproximadamente 42 graus para o vermelho e 40 graus para o violeta em relação à direção oposta ao sol. Esse é o motivo pelo qual o arco-íris sempre aparece numa região específica do céu e nunca onde você está olhando diretamente.

como a ciência explica a formação do arco iris

Para ver o fenômeno na prática, você precisa de três coisas alinhadas: sol atrás de você, gotas de chuva à sua frente e um ângulo do sol abaixo de 42 graus. Se o sol estiver alto demais, o arco cai abaixo do horizonte e você não vê nada. Eu levei isso a sério numa ocasião em que estive num vale montanhoso no interior de São Paulo, esperando uma chuva de verão. O sol estava a cerca de 35 graus acima do horizonte, o que teoricamente deveria funcionar, mas o terreno bloqueava a visão baixa do céu. A solução foi subir para uma trilha acima da linha das árvores. Sem isso, o arco aparecia cortado pela encosta e ficava com menos de metade do círculo visível. Em campo aberto, com o sol baixo, dá para ver até um arco completo formando um círculo, desde que haja gotas em todas as direções, como em queda d'água ou spray de mangueira. O que a maioria das pessoas ignora é que o arco-íris não é um objeto. Não há nada ali parado. É um padrão óptico que depende da posição do observador. Se você andar para a esquerda, as gotas que formam o arco mudam. Cada pessoa vê um arco diferente produzido por gotas diferentes. Isso explica também por que dois observadores nunca compartilham o mesmo arco-íris, mesmo que estejam lado a lado.

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Existe ainda o arco secundário, mais fraco e com as cores invertidas. Ele acontece quando a luz reflete duas vezes dentro da gota antes de sair. O ângulo de saída é de cerca de 50 a 53 graus, mais alto no céu. Entre o arco primário e o secundário fica a faixa escura conhecida como faixa de Alexander, que recebe esse nome do filósofo grego que a descreveu no século quarto antes de Cristo. É simplesmente a região onde não há luz refletida pelas gotas naqueles ângulos específicos. Outro detalhe que poucas pessoas consideram: a cor não termina abruptamente. As transições entre vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta são graduais porque cada comprimento de onda ocupa uma faixa angular estreita. Dentro dessa faixa a intensidade é alta, fora dela cai rápido. Por isso o arco parece ter faixas distintas, mas na realidade é um espectro contínuo com picos de intensidade bem definidos.

O tamanho aparente do arco também varia. Gotas maiores produzem cores mais saturadas e bordas mais nítidas porque a dispersão angular é mais concentrada. Gotas pequenas, como em neblina, espalham a luz de forma mais difusa e o resultado é um arco branco ou muito pastel, quase impossível de distinguir. Esse fenômeno se chama arco-coroa e é diferente do arco-íris verdadeiro, embora muitas pessoas confundam os dois. Se você quer reproduzir isso sem depender da chuva, um prisma de vidro funciona exatamente nos mesmos princípios. A luz entra, refrata, e cada cor sai em direção ligeiramente diferente. A diferença é que no prisma não há reflexão interna, então o efeito é mais simples. Ainda assim, serve para entender a dispersão na prática. Em casa, com uma lanterna e um copo d'água, é possível projetar um mini-arco na parede. O copo age como uma lente cilíndrica que separa as cores de forma semelhante a uma gota esférica.

O limite prático é que o arco-íris só existe quando há gotas suspensas no ar e luz solar direta. Nuvens densas bloqueiam a luz suficiente para que o contraste suma. Céu completamente encoberto não gera arco, mesmo com chuva forte. Por outro lado, dias com nuvens fragmentadas e clarões de sol intercalados são os melhores cenários. A chuva pode estar caindo longe, enquanto o sol brilha onde você está. Essa combinação é comum em tardes de verão e é a razão pela qual os arco-íris mais bonitos muitas vezes aparecem sem que pareça haver chuva perto.