Desenhar morcegos não é tão difícil assim
A maior parte dos iniciantes trava logo na hora de fazer as asas. O erro mais comum é tentar desenhar cada membrana como uma forma fechada e definida, quando na verdade a anatomia do morcego funciona de maneira completamente diferente. As asas são basicamente dedos alongados cobertos por pele, e entender isso economiza muito tempo na fase de esboço.
Como desenhar um morcego: estrutura básica
Comece com círculos para a cabeça e o corpo. Um oval pequeno para o tronco, um círculo para a cabeça, e linhas finas conectando as duas peças formam o esqueleto. Os morcegos têm proporções bem específicas que muitos ignoram. O crânio é grande em relação ao corpo, e o focinho costuma ser pontudo, não arredondado como se vê em desenhos infantis. Depois vem a parte que mais dá trabalho. Desenhe o esqueleto das asas com linhas longas saindo das costas e das laterais. Cada dedo da asa tem uma articulação clara no meio, e a membrana se estende entre eles até as pernas. Use linhas leves e soltas aqui. Se você pressionar forte o lápis, a borracha vai destruir todo o esboço depois.
Um problema prático que eu enfrento com frequência é quando o desenhistas tenta adicionar detalhes de textura na pele das asas antes de ter a forma final estabelecida. A membrana do morcego não é lisa. Ela tem veias, pregas e uma textura quase cartilaginosa, mas esses detalhes só funcionam depois que a silhueta está resolvida. Se você tentar pintar essas veias num esboço que ainda está sendo ajustado, acaba apagando tudo três vezes seguidas. A solução que eu uso é simple: deixo a asa completamente definida, só com contorno e linhas de esqueleto, antes de começar qualquer textura. Leva uns cinco minutos a mais no início, mas economiza meia hora de retrabalho.
Para as orelhas, os morcegos têm formas muito variadas entre as espécies. Os vampiros têm orelhas triangulares grandes. Os morcegos-fruta têm orelhas menores e mais arredondadas. Se você está desenhando sem referência, escolha um tipo e mantenha a consistência. Misturar orelhas de espécies diferentes no mesmo desenho é um erro que quem vê o resultado percebe imediatamente, mesmo sem saber nada de anatomia. A pose também importa mais do que a maioria dos artistas leva em conta. Morcegos em voo têm as asas completamente estendidas, formando um V largo ou uma linha horizontal dependendo da espécie. Quando estão pendurados de cabeça para baixo, as asas ficam enroladas ao redor do corpo como um mantão, e os dedos dos pés se enroscam nos pés. Desenhar um morcego voando com as asas semi-fechadas ou um morcego no chão com as asas abertas são erros comuns que dão a impressão de que o animal está desconjuntado.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Os olhos dos morcegos são pequenos e geralmente redondos, mas a maioria das espécies tem visão pobre. O que eles usam mesmo é a ecolocalização, então dar a eles olhos enormes e brilhantes como nos desenhos animados é mais um tropeço comum. Claramente, isso não representa a realidade. Se quiser precisão, mantenha os olhos pequenos e escuros.
Detalhamento e acabamento
Quando a estrutura está pronta, parte para os detalhes da pelagem. O corpo do morcego é coberto por pelos curtos e macios, mas nas asas a pele fica exposta e nua. Essa transição entre a pelagem do corpo e a pele das asas deve ficar clara no desenho. Use traços curtos e rápidos para o pelo, seguindo a direção natural do crescimento, que varia conforme a parte do corpo. Para as asas, pense nas veias como linhas finas e levemente curvas, não retas. A membrana estica e flutua no ar, então essas linhas precisam ter uma leve curvatura orgânica. Isso é especialmente importante quando o morcego está em voo, porque a tensão do ar altera a forma como as veias aparecem na superfície.
Se você está usando lápis de grafite, comece com um 2H para o esboço e vá escurecendo gradualmente. Um 4B ou 6B serve para as áreas mais sombreadas, como debaixo das asas e nas dobras da pele. As sombras sob as asas são particularmente importantes porque dão a sensação de volume e profundidade que transforma um desenho plano em algo com presença. Uma limitação prática que poucos mencionam é que morcegos têm formatos corporais muito diversos. Um morcego-da-fruta é rechonchudo e fofo. Um morcego-ferradura tem o focinho em forma de ferradura e orelhas grandes. Um morcego-vespa é delgado e ágil. Tentar generalizar todos eles com a mesma estrutura é um erro. O ideal é sempre ter uma foto de referência da espécie específica que você quer desenhar, porque as variações anatômicas entre famílias são grandes demais para confiar só na memória.
Se você está aprendendo e ainda não tem confiança para fazer o desenho inteiro de memoria, pode usar técnicas de transferência. Coloque um papel vegetal por cima de uma foto impressa e rastreie as linhas principais. Depois, refine por conta própria olhando a foto enquanto trabalha. Isso não é trapacear, é um método legítimo que muitos artistas profissionais usam quando estão construindo repertório visual. A pratica constante resolve quase tudo. Desenhos ruins no começo são normais. O que faz diferença é a quantidade de vezes que você tenta, erra, ajusta e tenta de novo. Eu já fiz dezenas de rascunhos de morcegos antes de conseguir uma asa que parecesse convincente, e ainda hoje preciso consultar referências para espécies que nunca desenhei antes.