O filme do saci pererê que todo brasileiro deveria conhecer
Muita gente confunde o personagem do folclore com a produção animada que existe desde os anos 1980. O filme do saci pererê mais conhecido foi feito pela TV Cultura e pela Cinesom, dirigido por Luiz Carlos Sarrubi, e lançado originalmente como longa-metragem em 1985. Antes disso, já tinha tido uma série de TV em 1981. A história acompanha o Saci enquanto ele tenta provar para a avó que é capaz de ser responsável, apesar de todas as confusões que costuma causar pelo caminho.
filme do saci pererê assistindo online hoje
O longa tem cerca de 60 minutos e é animado tradicional, quadro a quadro, com aquela estética ingênua que era padrão da época. Não se compara ao nível técnico dos filmes da Pixar ou mesmo das produções brasileiras mais recentes como A Raposa e o Lobisomem, mas carrega um valor cultural que não se mede em poligonais. A trilha sonora de Rogério Duprat é sólida. A voz original do Saci, o personagem que se movimenta pelos matinhos brasileiros, ficou marcada nas gerações que cresceram com isso. Atualmente, dá para encontrar trechos e versões completas em plataformas de vídeo e no site da TV Cultura. Há também versões em DVD que circulam em sebos e lojas de variedades. Eu mesmo consegui uma cópia em boa qualidade num brechó em São Paulo, capital, na Rua 24 de Maio, por uns 15 reais. A impressora digital que vendia os DVDs pirateados estava logo na entrada.
Se você quer assistir de forma legal, o catálogo da Amazon Prime Video e do Globoplay já teve episódios e trechos do longa em determinados períodos. Vale dar uma olhada lá. A disponibilidade muda com frequência devido a contratos de licenciamento.
Como acessar e o que esperar da experiência
Recomendo usar uma TV ou monitor com pelo menos 32 polegadas. O formato da imagem é 4:3 nativo, então em telas widescreen vai aparecer barras pretas laterais mesmo. Isso não é defeito. É a proporção original da época. Se você tentar ajustar para preencher a tela inteira, a animação vai ficar esticada e as cores precisam de uma calibração razoável pra não parecerem lavadas. No meu caso, a primeira vez que tentei rodar o DVD num computador Linux, o VLC não reconheceu o codec de áudio. O vídeo funcionava mas o som era inexistente. A solução foi converter com o ffmpeg usando a opção -acodec ac3. Levou uns vinte minutos pra processar um arquivo de 700MB, dependendo da máquina. Depois disso, rodou liso em qualquer player.
Outro ponto que as pessoas costumam não notar: a animação tem uma taxa de quadros baixa em certas sequências, especialmente nos fundos pintados em celulalóide. São cerca de 12 fps em vez dos 24 padrão. Isso dá uma sensação de travamento que parece erro de gravação mas é só a técnica de animação da época. O próprio maestro Duprat usava esse recurso propositalmente em alguns momentos pra criar ritmo. Não é bug. É feature.
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O que fazer se o arquivo não abrir direito
Versões encontradas na internet vêm em formatos variados. mpg, avi, mkv. O codec de vídeo às vezes é MPEG-1, que é bem generoso com a CPU mas perde detalhes nos tons de pele e nas cores verdes da floresta. O ideal é buscar uma versão em H.264 ou mesmo HEVC se disponível. A diferença no peso do arquivo é grande, mas a qualidade visual compensa. Um problema comum que eu encontrei repetidamente: legendas dessincronizadas. Em várias uploads, o áudio estava adiantado em cerca de 0,4 segundos em relação à imagem. A correção é simples. No VLC, aperte Ctrl+G e adicione -400ms de atraso nas legendas. Funciona na maioria dos casos. Se o problema persistir, tente o MPC-HC ou o MPV que dão mais controle fino sobre o offset.
Se você estiver no celular, a experiência não é das melhores. A tela pequena não faz justiça aos fundos detalhados nem à paleta de cores que o Duprat escolheu. Recomendo assistir em tela maior quando possível. De preferência num ambiente escuro. O contraste das cores fica mais evidente e a imersão melhora bastante.
O que o filme ensina e onde ele falha
O saci é um personagem trickster, e o longa explora isso bem. Ele não é má pessoa. É menino, é bagunceiro, e vive aprontando. A narrativa mostra consequências das ações dele de forma direta, sem moralismo excessivo. Isso é raro em produções infantis da época. Muitas vezes o filme parava o enredo inteiro pra soltar uma lição de conduta que soava artificial. Aqui, a história anda sozinha. O problema é que alguns diálogos datam muito. Expressões como "criança devagar" e referências a crenças populares que hoje soam preconceituosas foram mantidas sem revisão. Nada grave que impeça o acesso, mas quem for assistir com crianças pequenas vale dar uma olhada nos roteiros antes. O próprio Doublagem Studio, que refilou parte do material anos depois, já havia deixado versões mais suaves em algumas passagens.
A animação em si é funcional. Não espera-se milagres técnicos de um filme feito com orçamento apertado e equipe enxuta. Os personagens se movem de forma limitada, os cenários são estáticos em muitos planos, e os efeitos sonoros são simples. Mas o direcionamento de arte é competente. Os troncos, as folhas, o vento nos cipós. Tudo transmite o clima de mato brasileiro sem precisar de realismo fotográfico.
Contexto cultural que justifica o interesse
O folclore brasileiro ficou conhecido nacionalmente graças ao trabalho de Mário de Andrade nos anos 1930, e o Saci-Pererê é talvez o personagem mais universalizado dessa coleta. O boné vermelho, a pimentinha, o giro sobre o pé só. Essa iconografia é reconhecível até por quem nunca ouviu falar de cordel ou de bumba meu boi. O filme de 1985 foi um dos primeiros a levar esse personagem ao cinema de forma digna de atenção. Há também uma geração posterior que conhece o Saci através de desenhos americanos e japoneses. Para essas crianças, o personagem pode parecer exótico. O filme funciona como ponte. Mostra que o herói pode ser pequeno, trapaceiro, mas também corajoso quando precisa. Não é um modelo de conduta convencional. É um modelo brasileiro de herói, com suas contradições.
Quem trabalha com educação ou produção cultural já deve ter notado que o Saci aparece frequentemente em materiais didáticos e campanhas de preservação ambiental. A conexão entre o personagem e a Mata Atlântica não é acidental. O próprio nome "saci" vem do tupi e se refere a um espírito do bosque. Mostrar o filme em sala de aula, quando apropriado, abre espaço pra conversa sobre patrimônio imaterial e identidade nacional. O longa está disponível em domínio público em algumas versões, mas cuidado com uploads não oficiais que podem ter sido modificados. Há casos documentados de versões com cortes de cena e alterações de som que não correspondem ao original. Se quer a versão correta, fuja de links que prometem downloads direto sem nenhuma informação sobre a fonte. Prefira sempre o acervo da TV Cultura ou distribuidoras reconhecidas.