Uma visão prática sobre as HQs do Sonic
histórias em quadrinhos do sonic: o que existe para colecionar e ler
As histórias em quadrinhos do sonic começaram de verdade em 1993, quando a Archie Comics lançou o primeiro número. Antes disso, existiam algumas publicações brasileiras da Panini e edições promocionais, mas foi com a Archie que o formato de revista mensal em quadrinhos se consolidou. A linha principal rodou por mais de vinte anos, chegando a 284 edições regulares, sem contar os spin-offs como Sonic Universe, Sonic X e o crossover com Transformers. O problema é que depois que a Archie perdeu a licença em 2017, muita gente ficou sem saber onde encontrar o material ou qual versão ler. A IDW Publishing assumiu os direitos em 2018 e continua publicando até hoje com uma abordagem bem diferente. A transição não foi suave e deixou muitos colecionadores no abandono.
Se você está procurando ler essas HQs hoje, existem basicamente três caminhos: comprar os volumes físicos da IDW, usar a plataforma digitale da Boom! Studios (que detém os direitos das obras da Archie), ou procurar por edições avulsas em sebos e grupos de colecionadores. Cada um tem seu custo e sua dificuldade. Os graphic novels da IDW custam entre 25 e 40 dólares cada, dependendo do volume. A Archie tinha uma estrutura de publicação muito mais cara quando lançava em formato de coletânea. Aqui vai algo que ninguém conta: a numbered collection da Archie tem uma numerção interna completamente diferente da numeração original dos capítulos. O volume 1 da coleção corresponde aos números 1 a 14 da revista mensal, mas o volume 5 começa no número 55 e vai até o 68, pular completamente a arc story "Hedgehog" que muitos consideram essencial. Se você for montar uma biblioteca orgânica e seguir apenas a ordem dos graphic novels, vai perder arcos importantes como "Endangered Species", que é considerado por muitos o ponto alto da série Archie.
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Uma vez que eu tentei recomendar uma ordem de leitura para um colega que estava começando no hobby e indiquei os primeiros graphic novels da coleção, ele comprou os volumes errados porque a relançamento da Archie mudou a capa e a numeração em algumas réportagens. A solução foi simplesmente cruzar o número original da edição com a obra completa usando o wiki da comunidade, que mantém um catálogo atualizado. Levei uns bons dias para organizar isso, mas pelo menos ele parou de gastar dinheiro à toa.
Sobre a fase IDW e o que muda na prática
A IDW pegou o manto em 2018 com um tom mais adulto e uma continuity que respeita os jogos mas também se sente livre para explorar ideias novas. OWriter Ian Flynn, que havia construído décadas de lore para a versão Archie, migrou para a IDW e trouxe consigo uma estrutura narrativa bem mais densa. Cada story arc geralmente abrange de 6 a 12 edições, e a construção de personagem é significativamente mais elaborada do que nas revistas antigas da Archie, que costumavam ser mais episódicas e voltadas para um público mais jovem. O ponto fraco da fase IDW é que ela não tem a mesma amplitude cronológica que a Archie teve. São cerca de 100 edições publicadas até agora, o que é um número respeitável mas muito menor do que os 284 números da época anterior. Para quem quer mergulhar em uma saga longa com evolução de personagem profunda, ainda é cedo para saber onde a IDW vai chegar. O arco "Tangled Up" é um dos mais elogiados, mas também é um dos mais curtos e menos representativo do potencial completo da série.
Existe também a questão da disponibilidade no Brasil. As edições da IDW são importadas e praticamente impossíveis de encontrar em bancas nacionais. Já as revistas da Archie, apesar de descontinuadas, ainda aparecem ocasionalmente em feirões de usados e grupos online. A Panini chegou a lançar algumas edições especiais aqui, mas foram projetos pontuais que não coleção coesa. Se você mora no Brasil e quer ler as HQs do Sonic, a opção mais viável hoje é mesmo investir em importados ou recorrer a edições digitais. A qualidade artística também varia bastante entre as duas publicadoras. A Archie manteve um time rotativo de artistas com altos e baixos, enquanto a IDW conseguiu manter um padrão mais consistente, especialmente nos trabalhos de Tyler Floyd e Ryan Parrott. O custo de produção é visivelmente maior, com papel de melhor qualidade e acabamento mais refinado nas capas.