Jogos Para Confeccionar Com Os Alunos - Jogos De Português Para Confeccionar - BRAINCP
Jogos De Português Para Confeccionar - BRAINCP

Jogos de tabuleiro caseiros na prática

Confeccionar jogos com os alunos parece uma atividade bonita nos planos de aula até o momento em que você se vê colando feltro às 23h porque a cola quente não funcionou no papelão reciclado. A realidade é mais simples do que as ideias parecem. Você pega materiais disponíveis na escola ou em casa e constrói algo que funciona para o conteúdo que precisa ensinar. Os jogos de tabuleiro artesanais são úteis porque exigem pouco orçamento. Material de sucata, cartolina, cola, tesoura, canetinhas e alguns dados que talvez você tenha empoeirando numa gaveta. O processo de construção em si já é aprendizado. Quando os alunos montam as peças, eles internalizam regras, lógica e estruturas que muitas vezes escapam numa aula expositiva.

jogos para confeccionar com os alunos

Existem tipos que se adaptam melhor a certas matérias. Jogos de trilha funcionam bem para revisão de conteúdo geral. Cada casa pode ter uma pergunta ou desafio relacionado ao tema estudado. Jogos de memória são mais diretos e servem para fixação de vocabulário, fórmulas, datas ou conceitos. Jogos de estratégia como variantes de dama ou xadrez adaptados podem ser usados para matemática e lógica. Eu costumo começar pela mecânica, não pela estética. Um jogo mal visual mas que roda direito vale mais do que um bonito que ninguém consegue terminar porque as regras são confusas. Defina primeiro quantos jogadores, qual o objetivo, como se ganha e quantas rodadas ou até quando o jogo dura. Anote isso num papel antes de cortar qualquer material. Um problema real que eu encontrei foi com jogos de trilha feitos em papelão comum usando canetas hidrográficas. Após três ou quatro partidas, as casas iam sumindo ou borrando, principalmente com as mãos sujas de lanche dos alunos. A solução foi simples: imprimir as casas em papel vegetal e passar uma fita adesiva larga por cima de cada uma, como se fosse uma plastificação caseira. Durou o ano todo depois disso. Jogos de memória precisam de pares perfeitamente idênticos. Eu já vi gente colar desenhos feitos à mão e depois reclamar que os alunos reclamavam qual par era o certo porque um desenho tinha um detalhe a mais. Quando for fazer pares visuais, use imagens impressas ou copie o mesmo desenho várias vezes. Não conte com a simetria perfeita do traço manual. O tempo de confecção varia muito. Um jogo de memória simples leva cerca de 40 minutos com dez alunos se você já tiver os pares definidos. Um jogo de trilha completo, com tabuleiro, cartas e fichas, pode levar de duas a três sessões de aula. Planeje com antecedência e divida as tarefas. Metade da turma faz o tabuleiro, outra metade faz as cartas ou fichas. Para matemática, existem jogos específicos que dão resultado. Trilha com operações onde cada casa pede para resolver uma conta. Dados multiplicados ou somados determinam quantas casas avançar. Quiz cards funcionam para qualquer disciplina. Pergunta de um lado, resposta do outro. Os alunos perguntam e respondem trocando cartas. Um detalhe que muitos ignoram são as regras de empate ou empate técnico. Em jogos de competição entre times, se dois grupos chegarem ao mesmo ponto, o que acontece? Eu recomendo definir isso antes de jogar. Senão você perde quinze minutos no final discutindo quem ganhou e os alunos ficam frustrados sem motivo. Materiais alternativos economizam tempo e dinheiro. Tampinhas de garrafa viram fichas. Caixas de ovo cortadas ao meio viram tabuleiros ou divisórias. Rolos de papel higiênico viram tubos de dados ou cilindros para organizar peças. Se a escola tiver uma impressora quebrada, não desista. Desenhe à mão com régua e caneta técnica ou use carimbos feitos de batata ou borracha. O conteúdo deve vir antes do jogo. Eu já vi professores criarem um jogo lindo e só no final perceberem que as perguntas não cobriam nada do que foi ensinado. Defina os objetivos de aprendizagem primeiro. Quais conceitos ou habilidades você quer trabalhar. Só então construa as cartas, casas ou desafios em cima disso. Limitações existem e são importantes de mencionar. Jogos artesanais não são duráveis para uso intensivo diário. Se a ideia é ter um jogo que dure anos, invista em plástico corrugado ou laminado em vez de papelão simples. Jogos feitos com alunos maiores podem ter regras mais complexas, mas alunos do ensino fundamental inicial precisam de mecânica simples e visual limpo. Regras muito elaboradas matam a diversão mais rápido do que qualquer outro problema. Quando o jogo não funciona na primeira vez, não jogue fora. Eu já vi um jogo de trilha que travava porque o dado precisava dar exatamente o número certo para chegar ao final. Isso acontecia em cerca de quinze por cento das partidas. Adicionei uma regra de "casa especial" que permitia recomeçar do início em vez de empatar. O jogo passou a rodar sem problemas após essa alteração. A avaliação também pode entrar no processo. Peça para os alunos testarem o jogo e anotarem o que funcionou e o que não funcionou. Essa devolutiva é mais valiosa do que qualquer prova escrita sobre o conteúdo porque mostra se eles realmente compreenderam a lógica por trás do que aprenderam.