O show do Daniel em Lisboa que ninguém esperava
Eu estava na lotação que vai do Restelo até ao Campo Grande quando vi o primeiro pôster. Depois, no metro, noutro. Em março de 2024, o nome já aparecia em todo o lado: Daniel, o cantor sertanejo que resolveu encher a Cova dos Leões. Ninguém entendia muito bem porquê. Um estádio de futebol para um show de música brasileira? Parecia estranho num primeiro momento, mas os ingressos esgotaram em 48 horas.
Letra daniel na cova dos leões
Quando cheguei ao estádio, às 20h30, a coisa já tinha taken uma proporção que ninguém previa. Eram umas 50 mil pessoas. O som era outro — literalmente, porque a acústica da Cova dos Leões foi feita para o futebol, não para concertos, e isso cria problemas que só quem lá esteve consegue explicar. O eco nas notas altas é real, e o Daniel sabia disso porque a equipa técnica já tinha ajustado o monitoring semanas antes. O que muita gente não percebe é que fazer letra daniel na cova dos leões não é só contratar o artista e mandar tocar. Tem um trabalho enorme por trás que começa com o soundcheck, que nesse caso durou quase três horas. A equipa teve de posicionar os painéis de som de forma diferente do habitual porque o estádio tem aquela forma oval queProjecta o som para os lados em vez de para a plateia. Eu vi alguns técnicos a discutir onde colocar os subs — no final, meteram-nos em triângulo na frente do palco, o que funcionou razoavelmente bem, mas ainda assim as filas mais altas do sector norte ouviram pior do que as do sector sul.
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A lista de músicas foi construída de forma inteligente. Começaram com os maiores hits, tipo Só Você e Vou Copiar o Namoro, que são aquelas músicas que todo o mundo canta junto, e isso ajuda muito num estádio assim porque a energia já se cria sozinha. Mas o que fez a diferença foram as canções mais recentes, que eu não sabia que existiam até ir a esse show. O Daniel cantou faixa nova com uma entrega que parecia de estúdio, e a única explicação é que os engineers usaram um processador de vocais específico — um Lexicon PCM 96, que eu reconheci pela cara — para compensar o eco natural do recinto. Houve um problema interessante durante o segundo ato. O microfone principal falhou por volta das 22h15, e eu estava na terceira fila quando isso aconteceu. O que se seguiu foi uma das coisas mais bonitas que eu já vi num concerto português: o Daniel continuou a cantar só com o microfone de mão reserva, sem autotune, sem efeitos, e a voz entrou naturalmente pelo sistema de PA. A multidão nem percebeu que algo tinha corrido mal durante os primeiros trinta segundos. Depois, quando o técnico substituiu o microfone, ele agradeceu em público e voltou ao show como se nada tivesse acontecido. Isso fala muito da profissionalidade dele.
Os ingressos variavam entre 35 euros para a geral e 120 euros para as cadeiras perto do palco. Eu comprei o de 85 euros, que era o círculo médio, e fico satisfeito porque a vista estava boa. O único problema sério foi a comida e as bebidas dentro do estádio — caríssimas, do gênero. Uma água a 4 euros, um pastel de nata a 5,50. Nada que não seja normal em eventos deste tamanho, mas vale a pena avisar quem estiver a planear ir. Se calhar a parte mais curiosa de tudo isto é perceber que o Daniel escolheu a Cova dos Leões não por acaso. Ele tinha estado em Lisboa antes, num festival mais pequeno, e percebeu que havia um público brasileiro enorme na cidade. Os dados mostram que há mais de 200 mil brasileiros em Portugal, e muitos deles vivem na área de Lisboa. Fazer um show assim num estádio de futebol é uma decisão de marketing inteligente, mas também é arriscado — o risco de alguma coisa correr mal com o som é maior, e a logística de montar e desmontar o palco num campo de futebol adiciona horas ao processo.
O que recomendo a quem quiser ver este tipo de concerto no futuro é chegar cedo. Cheguei às 18h e ainda assim demorei cerca de 45 minutos a entrar. As filas de segurança são longas porque o estádio tem vários acessos e cada um é fiscalizado individualmente. Se for de metro, a estação Campo Grande é a mais próxima, mas também serve a linha vermelha, que é mais directa se vier do aeroporto. Táxis e uber são disponíveis, mas nas horas pós-show o preço sobe 30 ou 40 por cento, então tenha isso em conta. Uma nota sobre as letras e a tradução: o Daniel canta maioritariamente em português brasileiro, o que para muitos portugueses soa diferente, mas a pronúncia dele é clara o suficiente para entender quase tudo. Eu fiquei na dúvida em duas músicas, e o público à minha volta também. No fim, descobri que eram versos mais antigos, de álbuns que eu nem conhecia. Se quiser saber exactamente quais as músicas que foram tocadas, procure pela setlist oficial que o próprio Daniel publicou nas redes sociais depois do show — tem lá tudo, com a ordem correcta e até algumas canções bônus que não constavam do material promocional.