Como chamar as pedras do dominó
Todo mundo que já jogou dominó sabe que as peças têm nomes, mas na prática muita gente só chama pelo número mesmo. O que vou explicar aqui são os nomes técnicos que o pessoal mais antigo usa, mais por costume do que por necessidade. Tem quem trabalhe com isso há anos e ainda não saiba a diferença entre uma chamada oficial e um vira-casaca de bar. As peças de um jogo padrão de dominó (o famoso 6-6) são 28 ao todo. Cada uma tem duas faces com pontos, indo de zero a seis. A forma como chamamos essas peças varia muito conforme a região e o jeito que se joga. Em algumas cidades se usa um vocabulário bem específico, em outras só dizem "o seis com o cinco" ou simplesmente aponta com o dedo.
os nomes das peças de dominó
O sistema tradicional divide as peças em dois tipos: as duplas (quando os dois lados têm o mesmo número) e as normais. As duplas ficam na linha de frente porque em muitos jogos têm regras especiais. O seis com o seis é chamado de "seis-seis" ou, em algumas regiões, de "binhão". O cinco com o cinco é o "cinco-cinco", simples assim. O quatro com o quatro vira "quatro-quatro". O três com o três é "três-três". O dois com o dois fica sendo "dois-dois". O um com o um é o "um-um", e o zero com o zero é o "zero-zero" ou "vazia". As peças normais seguem a lógica de combinar um número maior com um menor. O seis com o cinco é o "seis-cinco". O seis com o quatro é "seis-quatro". E assim por diante até chegar no zero. O zero com o seis vira "seis-branco" ou "seis-nulo". O zero com o cinco é "cinco-branco". O zero com o quatro é "quatro-branco". O zero com o três é "três-branco". O zero com o dois é "dois-branco". E o zero com o um é "um-branco" ou simplesmente "branco".
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Quando eu comecei a jogar nas rodas de vadiagem, no começo não entendia nada disso. O pessoal mais velho chamava as peças de um jeito e eu de outro. Um dia tava jogando e cadê o seis-cinco? O cara disse que era "o seis com o cinquentinha". Aí entendi que cada região tem seu linguajar próprio. Em Belém chamam o seis-seis de "seis com seis" mesmo, mas em São Paulo às vezes viram "pedra grossa". É bagunçado. O problema é que quando você vai ensinar alguém ou escrever algo sobre isso, precisa escolher um padrão. Eu escolhi o mais usado no sudeste do país porque é o que eu mais ouvi. Mas se você for do nordeste, pode estar achando tudo isso errado. Não é. Só é diferente.
Tem uma coisa que poucos explicam: o zero não é igual a seis. O zero-branco é diferente do seis-cinco. O zero serve como coringa em alguns jogos, mas não em todos. Quando o jogo é "batida", o zero não vale ponto extra. Quando é "três", o zero pode virar vantagem. Depende da que estão jogando. Eu já vi gente ficar horas discutindo se uma peça vale ou não porque um não sabia o nome certo e o outro tinha outra interpretação. Outra coisa que o pessoal esquece: as peças com valor igual a seis aparecem apenas uma vez em cada linha. Ou seja, existe apenas um seis-seis, um seis-cinco, um seis-quatro, e assim por diante. Não existe segundo seis-seis. Se você pegar um jogo usado e descobrir duas pedras iguais, alguma coisa está errada. Ou é falsificação, ou o jogo está incompleto, ou alguém roubou peças de outro jogo.
Na prática, o nome técnico não faz diferença nenhuma para jogar. O que importa é saber associar o número de pontos ao nome. Se alguém disser "me passa o branco", você entrega o zero-branco. Se disser "me dá o seis-seis", entrega a pedra grossa. O resto é conversa fiada de quem tem tempo pra nada.