Os Outros Da Biblia - Livro Os Outros Da Bíblia - André Daniel Reinke - Thomas Nelson Brasil ...
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O que são os livros deuterocanônicos e como encontrá-los

Quando se fala em os outros da biblia, a maioria das pessoas pensa que existe uma bíblia secreta escondida. Não é bem assim. São livros que certain tradições cristãs incluem no cânone e outras não. O conceito é simples, mas o histórico é confuso e gera muita discussão.

os outros da biblia: quais livros são esses

Os textos em questão são sete livros e dois acréscimos que fazem parte do cânone católico e ortodoxo. As listas variam ligeiramente entre tradições. Os mais conhecidos são Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (Sirác), Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus. Além disso, Daniel tem adições — a Oração de Azarias e a História de Susana — e Ester também possui trechos adicionais em algumas versões. A Igreja Católica reconhece esses sete livros mais os acréscimos como canônicos. A diferença vem da Reforma Protestante, quando Lutero e outros reformadores decidiram seguir o cânone hebraico, que não inclui esses textos. Por isso, bíblias protestantes modernas geralmente não os trazem. Isso significa que o conteúdo varia drasticamente dependendo da tradução que você abre. Uma Bíblia Católica NTLH tem esses livros no Antigo Testamento. Uma Bíblia Protestante NVI não tem. A Nova Versão Internacional (NVI) é uma exceção interessante porque foi traduzida por eruditos que estavam abertos a incluir referências, mas a maioria das edições populares ignora os deuterocanônicos completamente. Dica prática: se você quer ler esses livros em português, a versão mais acessível é a Bíblia de Jerusalém ou a Nova Almeida Atualizada (NAA), ambas com os textos integrados ao Antigo Testamento. A versão King James também os inclui em uma seção separada chamada "Apócrifos". Aqui vai algo que poucas pessoas sabem. Os livros deuterocanônicos não foram "inventados" tarde. Eles circulavam amplamente nas sinagogas helenísticas e foram citados pelos pais da Igreja primitiva como Escritura. Orígenes, Tertuliano e Agostinho os usavam regularmente. O cânone hebraico foi fixado mais tarde, por volta do século II d.C., e os reformadores do século XVI simplesmente adotaram aquela lista como definitiva. Eu já vi pessoas terem dificuldade séria ao tentar encontrar os manuscritos originais desses textos. A maioria foi preservada em grego koiné, não em hebraico. Só fragmentos de Tobias e 1 Macabeus foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto. Isso é importante porque muitas traduções portuguesas modernas dependem do texto massorético hebraico, que não inclui esses livros. Quando você pega um comentário acadêmico sobre Judite, por exemplo, ele precisa recorrer a versões em grego, siríaco e latim para reconstruir o significado original. Um problema específico que encontrei na prática: muitos sites que prometem "biblia completa com apocrifos" na verdade oferecem apenas textos traduzidos de forma inadequada, às vezes a partir do latim da Vulgata, não do grego. A tradução fica truncada e perde nuance. Eu resolvi isso baixando os textos da Nova Versão Internacional com os deuterocanônicos incluídos, mas a fonte original mais confiável é a Septuaginta (LXX), editada por Ralph Klein e altri. Para quem lê em português, a edição da Paulinas com notas de rodapé é a melhor opção disponível atualmente. Outro detalhe que começa passa despercebido. 2 Macabeus e 2 Esdras têm datações diferentes. 2 Macabeus é do século II a.C., enquanto 2 Esdras, que alguns ortodoxos incluem, é do século I d.C. Isso explica por que a datação dos livros afeta diretamente como teólogos avaliam a autoridade canônica — quanto mais tarde, mais questionável para alguns grupos. Se você está começando a estudar esses textos, o caminho mais direto é abrir uma Bíblia Católica e ir livro por livro. Comece por Sabedoria, que é o mais curto e filosófico. Depois passe para Eclesiástico, que é basicamente um livro de sabedoria prática parecendo Provérbios. 1 e 2 Macabeus são narrativas históricas e funcionam como um diário de guerra. Os textos menores, como Baruc e a Oração de Azarias, são mais curtos mas densos teologicamente. Os limites dessa abordagem são claros. Se você é protestante, esses livros não terão autoridade canônica para você de qualquer forma. E mesmo dentro do catolicismo, há debate acadêmico sobre quais textos exatamente pertencem ao cânone — a Igreja Ortodoxa, por exemplo, inclui 3 Macabeus e o Salmo 151, que Roma não reconhece. Não existe consenso universal, e isso precisa ser dito claramente. Para quem quer ir além, a obra The Oxford Handbook of the Apocrypha é densa mas abrangente. Em português, Os Deuterocanônicos, de Frei Carlos Mesters, oferece uma introdução acessível sem simplificar demais.