Quando a resistência da churrasqueira para de funcionar, a maioria das pessoas acha que é o equipamento inteiro e descarta. Na prática, é quase sempre apenas o elemento resistivo ou um termostato pifado.
Eu já abri churrasqueira elétrica por dentro em pelo menos meia dúzia delas antes de aprender a diagnosticar de verdade. A coisa mais comum que encontrei era uma resistência com resistência zero no multímetro — aberto mesmo — ou uma continuidade intermitente que variava conforme a temperatura. O equipamento simplesmente desligava no meio do ciclo sem sinal algum.
Como testar e substituir a resistencia da churrasqueira eletrica
O primeiro passo é sempre desconectar a churrasqueira da tomada. Não adianta tentar medir nada energizado, e colocar a ponta de prova no terminal enquanto o aparelho está ligado é receita para um curto na ferramenta ou uma queimadura na mão. Remova a tampa traseira. Nas churrasqueiras elétricas domésticas mais comuns, os parafusos são philips padrão, às vezes sextavados. Anote a ordem ou tire uma foto antes de desembuchá-los. O elemento resistivo fica visível na parte de baixo, geralmente preso por duas braçadeiras metálicas ou suporte em U com porcas.
Teste de continuidade: coloque o multímetro na escala de ohms e encoste as pontas de prova nos dois terminais da resistência. Uma resistência de 1500 W para 127 V deve apresentar aproximadamente 10,6 ohms. Para 220 V, a conta dá cerca de 32 ohms. Se o valor estiver muito acima disso ou indicado infinito, o filamento quebrou. Se estiver abaixo do esperado, pode haver curto entre espiras, o que também queima o equipamento com o tempo. Uma coisa que não é óbvia: a resistência medida a frio não é a mesma resistência em operação. O filamento de nicromo ou ferro-cromo aumenta sua resistividade com a temperatura. Então um valor 15% a 20% acima do teórico é normal quando a grelha já esquentou. Não troque algo que ainda está bom só porque o ohmímetro mostrou 12 ohms num elemento de 10,6 ohms teóricos.
Ao substituir, anote a potência, a tensão, o comprimento e o diâmetro do tubular. Existem várias marcas genéricas no mercado que usam o mesmo formato externo mas potências diferentes. Colocar uma resistência de 1800 W onde a original era de 1500 W pode fazer o termostato disparar o disjuntor termomagnético toda vez que o equipamento entrar em ciclo pleno, especialmente em instalações residenciais com fio de 2,5 mm² alimentando o dispositivo. Os terminais geralmente são espinhos metálicos que encaixam em soquetes de baquelite ou cerâmica. Se o soquete estiver derretido ou escurecido, substitua também. Soquete danificado é a causa mais comum de perda de contato e faiscamento contínuo — e faiscamento dentro de uma churrasqueira é problema sério de segurança.
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Problemas que ninguém conta
O termostato de muitas churrasqueiras elétricas baratas não é eletrônico. É um bimetálico simples, do tipo que abre o circuito quando atinge uma temperatura pré-definida e fecha quando resfria. Com o tempo, as lâminas bimetálicas perdem a memória elástica e começam a desarmar cedo demais. A churrasqueira esquenta, corta, esquenta de novo, corta de novo, e nunca atinge a temperatura ideal para grelhar. O usuário acha que a resistência está fraca, mas o defeito é no termostato. Para confirmar, desvie temporariamente o termostato curtos metendo um jumper nos terminais dele. Se a churrasqueira então esquentar até temperatura alta e manter, o problema era o termostato mesmo. Juntar um jumper é solução permanente só se você tiver consciência de que está eliminando a proteção térmica. Numa churrasqueira sem, o elemento resistivo trabalha sem interrupção e pode superaquecer a carcaça ou queimar a isolação dos fios em pouco tempo. O correto é substituir o termostato por um equivalente com a mesma curva de abertura, ou então instalar um controlador eletrônico de temperatura substituindo o conjunto bimetálico.
Outro ponto que passa despercebido: o aterramento. A carcaça metálica da churrasqueira precisa estar aterrada. Se o fio terra estiver solto ou ausente, você pode sentir uma vibração leve na mão quando tocar na grelha enquanto o equipamento liga. Isso é corrente de fuga indutiva. Funciona, mas é sinal de que a instalação elétrica da cozinha ou do quintal não está adequada. Instale um DR no quadro se ainda não tiver.
Quantas vezes uma resistência dura
Em uso residencial, uma resistência de boa qualidade dura entre dois e cinco anos, dependendo da frequência de uso e da qualidade do material do filamento. Resistoras de nicromo 80/20 são as mais resistentes a oxidação em alta temperatura. As de ferro-cromo, mais baratas, oxidam mais rápido e tendem a romper três a seis meses antes das de nicromo. Em uso comercial, com ligas melhores e manutenção preventiva, esse prazo se duplica ou triplica. Se você grelha frequentemente alimentos ácidos ou muito salgados diretamente sobre a resistência exposta, a corrosão acelera. O suco de limão escorrendo sobre o tubular quente cria cloretos que atacam o revestimento de óxido de magnésio do elemento. Uma limpeza sem produtos abrasivos e com o equipamento frio evita esse tipo de dano.
Custo de manutenção
Uma resistência tubular genérica de 1500 W para 127 V custa entre R$ 40 e R$ 90 dependendo da marca. Um termostato bimetálico equivalente sai por cerca de R$ 25 a R$ 50. Um controlador eletrônico mais preciso varia de R$ 80 a R$ 200. O serviço de um eletricista ou técnico para ir até aí gira em torno de R$ 100 a R$ 180, mas o trabalho é simples o bastante para ser feito em casa se você tiver experiência básica com eletricidade. Em muitos casos, vale mais a pena trocar a churrasqueira inteira do que consertá-la. Modelos de entrada, que representam a maior parte do mercado, usam componentes de baixa qualidade que não têm reposição fácil e cujos manuais são praticamente inexistentes. Já os modelos intermediários e profissionais costumam ter resistencia da churrasqueira eletrica padronizada e manual com diagrama elétrico incluso, o que facilita muito a manutenção.
Solução alternativa
Se o orçamento é apertado e a churrasqueira já tem mais de cinco anos de uso intenso, considere um churrasqueiro a gás ou a carvão como substituto. A churrasqueira elétrica tem a vantagem de ser mais limpa e de ligar em qualquer tomada 127 ou 220 V, mas a resistência é o componente que mais falha e, quando falha, deixa o equipamento inteiro inútil. Uma churrasqueira a gás, por outro lado, raramente quebra algo que não se resolve com uma válvula nova ou um regolador de pressão.