Sílaba Divisão Silábica E Número De Sílabas - Sílaba divisão sílabica e número de sílabas atividades de português 4 ...
Sílaba divisão sílabica e número de sílabas atividades de português 4 ...

Divisão silábica no português: o que funciona na prática

A divisão silábica é simplesmente a separação de uma palavra em sílabas usando um hífen. O objetivo mais comum é saber onde quebrar uma palavra no final de uma linha, mas o mecanismo também serve para contagem silábica e classificação de palavras quanto ao número de sílabas. Vou explicar como fazer isso de forma consistente, porque as regras oficiais têm várias exceções que a maioria dos manuais não detalha direito.

Como fazer a sílaba divisão silábica e número de sílabas corretamente

O método baseia-se em identificar os núcleos vocálicos de cada sílaba. Consoantes que ficam entre duas vogais sempre se dividem: cada consoante vai com a vogal que vem depois dela. Pegue a palavra "carro". Tem as vogais a, a, o. As consoantes intermediárias são r, r. Como há duas consoantes iguais juntas, elas se separam: car-ro. A primeira sílaba fica com o r que antecede a pausa da duplicação, a segunda com o r que acompanha a vogal seguinte. Quando há uma única consoante entre vogais, ela vai com a segunda vogal. "Amigo" vira a-mi-go. Quando há dois sons consonantais diferentes juntos no meio — como em "pl" ou "tr" — o grupo não se separa. Ele permanece inteiro na sílaba seguinte. "Plano" divide-se pla-no. "Triste" vira tri-ste. Esses grupos são chamados de encontros consonantais, e a regra é simples: eles não se partem.

Há um ponto que quase todo mundo erra. Dígrafos como "nh", "lh", "ch", "rr", "ss", "sc", "sç", "xs" contam como um único fonema consonantal. "Chuva" não é ch-u-va. É chu-va, porque o dígrafo "ch" é um só som. O mesmo vale para "sentir": se-n-ti-r, não se-nti-r. O "nt" é um encontro consonantal, então fica junto. Já o "nh" em "banho" forma sílaba: ban-ho, nunca ban-i-ho ou algo parecido. Pra contar o número de sílabas, basta dividir e contar quantos grupos formados existem. "Elefante" é e-le-fan-te. Quatro sílabas. "Astronave" é as-tro-na-ve. Também quatro. "Umas" tem apenas uma vogal e duas consoantes: u-mas. Uma sílaba só.

O problema real aparece com os ditongos. Você precisa distinguir ditongo oral, ditongo nasal e hiato. Um ditongo é uma vogal mais uma semivogal na mesma sílaba. "Pé" tem uma vogal, então é monossílabo. "Pé" é um caso óbvio. Mas "pa-pel" já é parissílabo: pa-pel. O "e" final não cria ditongo aqui porque há uma consoante antes. Agora "pai": não tem quebra. É uma sílaba só, pois "ai" forma um ditongo oral. A divisão seria, se fosse necessário marcar, pa-i só se fosse hiato, mas em "pai" é ditongo, então uma sílaba. Hiato acontece quando duas vogais estão juntas mas não formam ditongo. "Sa-ú-de". O "a" e o "u" estão separados por hiato. Cada um fica em sílaba própria. "Idéia" — essa ortografia mudou, virou "ideia" — se divide i-dei-a. Note que "dei" é um tritongo? Não. É um ditongo crescente seguido de vogal isolada: i-dei-a. A vogal "a" final fica sozinha, formando uma sílaba nova.

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O que ninguém te conta é que a sílaba tônica não tem relação direta com a divisão. Você pode dividir corretamente uma palavra e ainda assim errar a acentuação se não souber onde está o núcleo forte. A divisão silábica é puramente fonética e ortográfica. A tonicidade é outra camada. Na prática, isso significa que você pode fazer a partilha certinha e ainda classificar mal a palavra como oxítona, paroxítona ou proparoxítona se confundir a sílaba final com a tônica. Eu tive um caso específico recentemente com a palavra "extraordinário". Alguém estava automatizando a divisão e o sistema erroneamente separava "ex-tra-or-di-ná-ri-o". O erro estava no tratamento do "x". O "x" aqui não é dígrafo, é consoante simples. A separação correta é ex-tra-or-di-ná-ri-o, mas o sistema estava tratando o "io" final como hiato quando, na verdade, depende da pronúncia. Em boa parte dos sotaques brasileiros, o "io" final é ditongo, então seria extra-or-di-ná-rio. O resultado foi que o programa gerava contagens erradas dependendo da variante. A solução que usei foi criar uma lista de exceções baseada na pronúncia padrão do português brasileiro, com cerca de duzentas palavras mapeadas manualmente. Funciona para o contexto em questão, mas não é universal.

Outro ponto que costuma causar confusão é o dígrafo "rr". Ele sempre se dobra na divisão: car-ro, gar-ra, mar-telo. Duas letras, duas sílabas. O mesmo vale para "ss": pas-so, cis-ne. Cada "s" vai para um lado. Isso é consistente na ortografia portuguesa, mas muitos estudantes não percebem e tentam manter o par junto. Vogais repetidas não existem na divisão. Não há "a-a" ou "e-e" em português padrão. Se você vê duas vogais iguais, geralmente pertencem a palavras diferentes justapostas. "Para-amotas" é um exemplo composto: pa-ra-a-mo-tas. O hífen do compuesto é outra história. Aqui estamos falando de divisão dentro da palavra simples.

Existem também os casos de prefixos e sufixos. "Pré-visto" se divide pré-vi-sto. O prefixo "pré-" mantém seu "e" como sílaba aberta. A divisãão não corta o prefixo arbitrariamente. Ela segue a estrutura fonológica, não a morfológica. Isso é importante porque quem ensina divisão silábica às vezes tenta dividir por morfemas, o que gera erros. A divisãão silábica é fonológica, não morfológica. O número de sílabas resultante determina a classificação métrica. Monossílabo: uma sílaba. Dissílabo: duas. Trissílabo: três. Mais de três é polissílabo. Palavras como "psicologia" têm cinco sílabas: psi-co-lo-gi-a. A presença do "ps" inicial não altera a contagem, porque o encontro consonantal permanece junto. A primeira sílaba é "psi", não "p" separada.

Se você está fazendo isso manualmente para muitos textos, o processo leva cerca de três a cinco minutos por página de densidade média. Ferramentas de processamento de texto geralmente dividem automaticamente, mas elas erram em palavras incomuns ou tecnicistas. Eu recomendo revisar manualmente qualquer divisão que envolva dígrafos ou encontros consonantais pouco frequentes. O tempo gasto na revisão compensa a correção dos erros de automatização, que costumam aparecer em cerca de oito a doze por cento dos casos em textos com vocabulário variado.