Guia prático das figuras do São João: o que são, onde encontrar e como usar
As figuras do São João são uma tradição portuguesa que mistura artesanato popular, decoração de rua e brinquedos de festa. Nasceu da costura de panos e do enchimento com palha ou papel para criar bonecos gigantes que desfilam, e evoluiu para incluir os brindes de plástico que se distribuem nos bailinhos e nos mercados. Há três categorias principais que as pessoas costumam confundir entre si.
Quem são as figuras do são joão
A primeira categoria são os papeludos — figuras de grande formato feitas com pasta de papel sobre uma armação de vime ou arame. Estas são as que aparecem nos cortejos de rua, especialmente no Porto. Estilisticamente, os papeludos mais conhecidos representam figuras caricaturais: um homem de bigode, uma senhora com vestido rodado, o Diabo, a Maria Fernandes. O peso varia entre 3 e 8 kg por figura, e cada uma precisa de duas pessoas para ser dançada em segurança. A armação interna suporta o tecido, mas a estrutura não é rígida — isso significa que ventos fortes acima de 40 km/h podem deformar o papel e causar quedas durante o desfile. A segunda categoria são as figuras em plástico rígido, aquelas miniaturas coloridas de cerca de 10 centímetros que vêm em saquinhos e são distribuídas como brindes nas festas populares. Têm uma funcionalidade diferente: são colecionáveis, usáveis como decoração de mesa e muitas vezes vendidas em feiras e barracas. O material é poliestireno ou PVC, o que as torna leves mas também sensíveis a calor excessivo — deixá-las num carro ao sol a 35 graus pode deformá-las permanentemente em poucas horas.
A terceira categoria, menos óbvia, são as figuras em tecido costurado à mão, feitas por grupos de amigos ou associações para decorar jardins e espaços comunitários. Estas não desfilam. São estáticas, penduradas em muros ou árvores. Algumas comunidades do interior ainda mantêm esta prática viva, enquanto nas grandes cidades praticamente desapareceu. O problema mais comum que encontro é a má interpretação das diferenças entre estas categorias. Alguém que encomenda um papeludo para uma escola pode ficar surpreendido com o peso e a necessidade de estrutura de apoio, porque comprou sem perceber que se trata de uma peça de dança de rua e não de uma decoração fixa. A solução é simples: antes de encomendar, pergunta se a figura é para desfilar, para decorar ou para brincar com as crianças. Cada uso exige material e preço diferentes.
Outro detalhe que pouco gente considera é a durabilidade. Um papeludo bem feito, guardado em local seco, dura entre três e cinco anos. Mas a humidade do Porto no verão — aquela névoa densa que se forma quando a humidade sobe dos 80% — faz o papel amolecer. No ano passado, perdi um dos meus papeludos porque o deixei numa barraca ao ar livre durante dois dias de exposição contínua. A pasta absorveu a humidade, amoleceu e começou a soltar-se da armação. A partir desse dia, passei a guardar todas as figuras em sacos de plástico com sílica gel e a transportá-las em caixas rígidas. O custo logístico aumentou, mas a taxa de destruição caiu para quase zero. Quanto aos brindes em plástico, a questão crítica é a autenticidade. O mercado português está cheio de cópias chinesas que parecem idênticas às originais mas libertam substâncias químicas quando expostas ao sol. Se fores comprar em quantidade para uma festa escolar, pede sempre o certificado CE e verifica a data de fabrico. Cópias antigas sem certificação podem ter pigmentos com chumbo, especialmente as cores vermelhas e amarelas intensas.
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Para quem quer fazer as suas próprias figuras, há materiais acessíveis em qualquer loja de artesanato: cola de papel, jornais velhos, massa de modelar e armações de arame grosso. O processo leva cerca de 6 a 8 horas por figura pequena, mas requer paciência com as camadas de papel — cada uma deve secar completamente antes da seguinte, o que significa que demora pelo menos dois dias em condições normais de humidade. Se apressares o processo, a figura fica irregular e propensa a rachar. Um detalhe técnico que pouca gente sabe: a cor final das figuras de papel depende da luz. O branco original do papel amarela com a exposição solar, especialmente se usares tinta branca por cima. Para manter a cor, aplica sempre uma camada de verniz acetinado ou brilhante após a pintura. Isso não só protege como dá profundidade visual que o papel cru não tem.
Se procuras onde comprar, as feiras de artesanato do Porto, Braga e Guimarães têm vendedores especializados. Também há lojas online portuguesas que vendem kits completos de papeludos, mas o envio para o interior pode demorar até uma semana. Os brindes em plástico encontram-se em qualquer supermercado nos meses de maio e junho, e em feiras de antiguidades durante o resto do ano a preços mais baixos. Se o teu objetivo é organizar uma festa, recomendo misturar as três categorias. Usa os papeludos para o cortejo central, os brindes para as crianças e as figuras em tecido para decorar o espaço onde a familia e os convidados vão estar sentados. Esta combinação garante que todos os grupos etários participam de forma diferente e que a festa tem uma identidade visual coerente sem parecer repetitiva.
Existe ainda uma versão mais recente, as figuras em resina fundida, produzidas por algumas oficinas em Barcelona e importadas para Portugal. São mais caras, duram décadas e têm acabamento profissional, mas perdem a espontaneidade artesanal que caracteriza as versões tradicionais. São adequadas para decoração permanente de espaços públicos, não para festas efémeras. O custo médio para montar uma equipa básica de figuras do São João é de cerca de 120 a 200 euros, dependendo da quantidade e qualidade escolhida. Os papeludos individuais custam entre 40 e 80 euros cada, os brindes em saco de 50 unidades entre 8 e 15 euros, e as figuras em tecido variam muito consoante o artesão. Fica atento às promoções de outono, quando os vendedores liquidadam o stock do ano anterior a preços significativamente mais baixos.
Se tens experiência própria com figuras do São João, partilha nos comentários. Há detalhes regionais que escapei e que podem ser úteis para quem está a organizar a sua primeira festa.