Problemas De Divisao Para 3 Ano - Atividade de Matematica Problemas de Divisao 3 Ano e 4 Ano Respostas | PDF
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Como trabalhar problemas de divisão no terceiro ano

A divisão é um dos conteúdos que mais gera dificuldade quando se trabalha com crianças de oito a nove anos. O conceito em si não é complexo, mas a transição da subtração repetida para a ideia de partilha igualitária precisa ser feita com cuidado. Se o aluno ainda não domina a tabuada, vai travar logo na primeira conta. Eu costumo começar explicando o que é dividir antes de colocar qualquer sinal de divisão na lousa. Partilha, distribuição, grupos iguais. Palavras que fazem sentido no dia a dia da criança. Uso materiais concretos: botões, tampinhas, figurinhas. Coloco doze tampinhas na mesa e pergunto como dividir igualmente entre quatro alunos. As crianças montam os grupos sozinhas. Aí sim eu escrevo 12 ÷ 4 = 3.

problemas de divisao para 3 ano

O problema mais frequente que eu vejo nas turmas é o aluno saber fazer a conta de dividir no papel mas não conseguir interpretar o enunciado. Ele vê os números, aplica o algoritmo que aprendeu de cor e responde o que vier. Isso não é resolver problema. Isso é seguir receita. Um exemplo concreto que me aconteceu há duas turmas atrás: estava passando exercícios no caderno e uma aluna escreveu 56 ÷ 8 = 7, certinho. O enunciado era sobre distribuir 56 balas em sacolinhas com oito balas cada. Quando perguntei quantas sacolinhas ela fez, a criança respondeu três. Três sacolinhas com oito balas dá vinte e quatro. Ela tinha feito a conta certo e o raciocínio errado ao mesmo tempo. Percebi que ela estava decorando o algoritmo sem entender o que cada dígito representava.

A solução foi voltar para o material concreto. Peguei cinquenta e seis botões e pedimos juntos para montar grupos de oito. Contamos quantos grupos ficaram. Sete. Aí conectamos com a escrita: 56 ÷ 8 = 7. A criança voltou a entender o vínculo entre o concreto e a notação matemática. Outro ponto que poucos professores mencionam: a diferença entre dividir por repartir e dividir por incluir. Dividir trezentos reais entre cinco crianças é repartir. Quantos metros de fita cabem em rolos de dois metros cada? Isso é incluir. As crianças confundem esses dois sentidos o tempo todo. Eu insisto bastante nessa distinção desde o primeiro contato com o tema.

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Quanto aos recursos para praticar, existe bastante material disponível gratuitamente na plataforma do Portal do Professor do MEC. Também recomendo os cadernos do Programa Dinheiro no Bolso, que trazem atividades contextualizadas com situações reais. Nada de imprimir lista genérica de dez contas repetitivas. O cérebro da criança acostuma e para de prestar atenção. Se quiser algo mais direto para impressão, o site Clube dos Letras tem uma seção específica com problemas de divisão para o terceiro ano organizados por nível de dificuldade. Funciona razoavelmente bem para fixação, mas não substitua o trabalho conceitual inicial com material manipulável.

Uma coisa que você precisa saber e que os manuais nem sempre dizem: crianças nesse idade ainda têm dificuldade com resto zero versus resto diferente de zero. Quando a divisão é exata, elas acham que está tudo certo. Quando sobra um inteiro, entram em pânico e querem subtrair até dar zero. É preciso mostrar desde o início que resto faz parte da operação e tem significado. Onze dividido por três dá três com resto dois. Dois sobrando não é erro, é informação. O algoritmo da divisão (aquele esquema com quociente, resto, dividendo e divisor) deve ser introduzido só depois que o conceito estiver consolidado. Eu vejo muitos professores começarem pelo algoritmo e as crianças decorarem o passo a passo sem saber o que estão fazendo. No ano seguinte, quando aparecem divisões com mais dígitos, elas simplesmente não conseguem avançar porque a base não existe.

Para quem está passando exercícios em casa, o ideal é limitar a quantidade. Cinco ou seis problemas bem escolhidos valem mais do que vinte repetitivos. E sempre pedir para a criança explicar em palavras o que cada número da resposta significa. Isso revela se ela entendeu ou só copiou um procedimento. Se o aluno travar na tabuada, o caminho é voltar para lá. Não adianta Forçar a divisão se a multiplicação não está sólida. Dedique duas ou três semanas apenas para fortalecer a tabuada do dois ao nove com jogos e práticas rápidas. Depois a divisão flui muito mais naturalmente.

Um erro comum nos materiais impressos é usar números grandes demais para o primeiro contato. Comece com divisões até vinte, depois quarenta, cinquenta. A progressão precisa ser lenta. Crianças precisam de repetição variada, não de repetição idêntica.